Bispos da Inglaterra condenam projeto de lei de morte assistida
A Câmara dos Comuns do Reino Unido vota nesta quinta (11) um projeto de morte assistida. Bispos católicos, entre eles John Sherrington e Philip Egan, apontam falta de salvaguardas e risco de expansão do escopo.
A Câmara dos Comuns do Reino Unido volta a votar nesta quinta-feira, 11 de setembro, um projeto de lei sobre morte assistida, durante sua segunda leitura. A proposta foi apresentada pela deputada trabalhista Lauren Edwards em 17 de junho e é substancialmente idêntica ao Projeto de Lei sobre Adultos com Doenças Terminais (Fim da Vida), de 2024, da deputada Kim Leadbeater, que não avançou na Câmara dos Lordes em abril de 2026 após cerca de 1.200 emendas. Bispos católicos da Inglaterra e do País de Gales se manifestaram contra o texto nos últimos dias.
O que dizem os bispos
O Arcebispo de Liverpool, John Sherrington, bispo responsável pelas questões relacionadas à vida, chamou o projeto de "falho e perigoso" e convocou todas as pessoas de boa vontade a se oporem a ele. "É errado, em princípio, que profissionais de saúde se envolvam em encerrar a vida de seus pacientes", disse. Para ele, o texto "não contém salvaguardas suficientes contra a coerção nem protege pessoas vulneráveis, incluindo pessoas com deficiência, aquelas com transtornos alimentares e vítimas de violência doméstica".
Sherrington também aponta falha na proteção ao direito à objeção de consciência e a ausência de "uma opção de não participação institucional para hospices [centros de cuidados de fim de vida] e casas de repouso que não desejem participar". Outra preocupação é que "a experiência de outros países sugere" que a legalização do suicídio assistido "afeta negativamente a qualidade e o desenvolvimento dos cuidados paliativos".
O Bispo de Portsmouth, Philip Egan, descreveu o projeto como "perigosamente falho" e afirmou que "o próprio princípio de ajudar alguém a tirar a própria vida é abominável". Ele alertou para o risco de "expansão do escopo" (mission creep), como em países onde legislações semelhantes foram adotadas. "Mais categorias de pessoas se tornarão elegíveis: não apenas os doentes terminais, mas também pessoas com transtornos mentais, demência ou depressão, bebês doentes, pessoas com deficiência, e assim por diante. Nenhum governo no mundo consegue impedir isso. No Canadá, mais de 5% das mortes já ocorrem por injeção letal."
O bispo de Hexham e Newcastle, Stephen Wright, também se opôs. "Sou contra o suicídio assistido. A vida é um dom de Deus. Cada pessoa é criada à imagem e semelhança de Deus e, independentemente de sua posição na vida ou do que esteja enfrentando, possui uma dignidade concedida por Deus que deve ser respeitada. Não cabe aos seres humanos matar uns aos outros, em qualquer contexto que seja." E acrescentou: "Deixando de lado a moral e a ética, é um projeto de lei ruim. Ele falha em oferecer salvaguardas para os membros mais vulneráveis da sociedade. Este projeto de lei é desnecessário e é errado."
Histórico e próximos passos
A Igreja Católica na Inglaterra e no País de Gales disponibilizou um formulário online para que as pessoas contatem seus deputados e os instem a votar contra o projeto. As preocupações dos bispos são compartilhadas por organizações que atuam na área e por entidades como o Royal College of Psychiatrists, a Association for Palliative Medicine e a British Medical Association (BMA). A votação desta quinta definirá se a proposta avança ou enfrenta novo bloqueio, como ocorreu com o texto anterior na Câmara dos Lordes.

