Hechos 29: segundo dia alerta para riscos na missão digital
O segundo dia do Hechos 29, na Costa Rica, alertou para riscos da missão digital: comparação, métricas e polarização. Líderes católicos propõem encontro e comunidade.
O segundo dia do Hechos 29, encontro internacional de missionários digitais e influencers católicos realizado na Costa Rica, colocou em pauta os riscos da missão digital. A programação desta quarta-feira, 19, começou com a Missa presidida pelo padre Melson Andrés Correa, da Colômbia. Na homilia, ele partiu do Evangelho do dia (Mt 20,1-16a) para alertar sobre a comparação entre criadores de conteúdo. "É preciso tomar cuidado para que a missão não se torne uma competição", afirmou. Se o conteúdo de outro influencer ajuda alguém a recuperar a esperança, o resultado beneficia a todos, disse.
O secretário do Dicastério da Comunicação, monsenhor Lucio Adrián Ruiz, ampliou o debate. Ele destacou que os novos "confins" da evangelização não são apenas geográficos, mas culturais, existenciais e antropológicos. A Igreja, segundo ele, precisa descobrir a missão digital como "uma nova página de sua história missionária", integrada à vida eclesial ordinária e com formação espiritual, teológica, técnica e sinodal.
O fundador do Hechos 29, padre José Juan Montalvo, conhecido como padre Borre, aprofundou a identidade do missionário digital. Para ele, a missão não se resume a usar redes sociais, mas a gerar encontros e comunidade. Ele fez questão de diferenciar "digitalizar a pastoral" de "fazer pastoral digital": a primeira transfere atividades antigas para o digital; a segunda desenvolve uma missão própria, com linguagem digital e acompanhamento das pessoas.
O mestre em Teologia, Agustín Podestá, exortou os participantes a recuperar o olhar para quem precisa de ajuda. Ele lembrou que as plataformas abrem portas, mas não substituem a experiência presencial. Já Verónica Brunkow alertou para a divisão e polarização geradas pela internet, citando "tentações" como falta de oração, autorreferencialidade, desânimo com métricas e confrontos nas redes. A raiz, segundo ela, está em colocar o ego no centro. Como antídoto, propôs modelos do Evangelho, como São João Batista e os discípulos de Emaús.
O Hechos 29, em sua sexta edição, reúne participantes de 20 países. A ideia surgiu após uma reunião da Arquidiocese de Monterrey, como contou padre Borre. O nome vem de Atos dos Apóstolos, que tem 28 capítulos: "A Igreja, na missão, está escrevendo o capítulo 29, e a missão digital é um versículo".