Bem-estar

Papa exorta à humanização das tecnologias digitais no Vaticano

ResumoPapa Leão XIV exortou cerca de 500 pesquisadores do IIAS no Vaticano a humanizar as tecnologias digitais, priorizando ética e prudência diante do avanço da inteligência artificial. A declaração papal enfatiza a necessidade de equilíbrio entre inovação e valores humanos, sem subordinar a dignidade pessoal aos algoritmos. O encontro reforça o papel da Igreja Católica na regulação moral do desenvolvimento tecnológico global.

Papa Leão XIV recebeu cerca de 500 pesquisadores do IIAS no Vaticano e exortou à humanização das tecnologias digitais, com ética e prudência diante do avanço da IA.

Marta Vasques
por Marta Vasques · Teóloga · 28 de agosto de 2026 · 2 min
Papa exorta à humanização das tecnologias digitais no Vaticano

O Papa Leão XIV voltou a exortar à humanização das tecnologias digitais nesta sexta-feira, 28, durante encontro no Vaticano com cerca de 500 pesquisadores do Instituto Internacional de Ciências Administrativas (IIAS). A fala reforçou a necessidade de preservar a humanidade diante do avanço acelerado da inteligência artificial.

A resposta direta do Pontífice foi clara: não se trata de barrar a evolução, mas orientar seu uso com ética. "É preciso garantir que o bem da família não seja sacrificado por interesses privados" e que as tecnologias digitais sejam humanizadas para servir à paz, disse Leão XIV aos participantes.

O IIAS tem sede em Bruxelas, na Bélgica, e realizou sua conferência anual em Roma. O tema desta edição foi a Inteligência Artificial e o uso equilibrado das tecnologias digitais. A organização promove eventos de alto impacto focados em estudos e reformas da administração pública.

Leão XIV também lembrou sua recente encíclica "Magnifica humanitas", sobre a salvaguarda da pessoa humana nesta era. Ele questionou "se, no futuro, será possível controlar essas máquinas, se o ser humano não corre o risco de se tornar vítima das próprias invenções". O Papa observou que um dos graves problemas atuais é constatar que as decisões relativas à vida humana estão a cargo das máquinas.

O Pontífice destacou que apelar à prudência, a auditorias rigorosas e, por vezes, a um abrandamento na adoção da IA "não significa ser contra o progresso, mas sim exercer a salvaguarda responsável da família humana". Ele recordou que o Papa Francisco alertava para a "imensa expansão da tecnologia", que deveria ser acompanhada por adequada formação da responsabilidade, orientando a pesquisa técnico-científica pela "paz e o bem comum a serviço do desenvolvimento integral do homem e da comunidade".

"É importante definir uma ética que acompanhe o uso dessas importantes ferramentas, que, infelizmente, se concentram nas mãos dos grandes atores econômicos e tecnológicos, e que o Estado tem dificuldade em controlar", afirmou. "Encorajo-os a prosseguir suas pesquisas para encontrar formas e meios de contribuir com a administração pública para a humanização das tecnologias digitais, de modo que sejam a serviço da vida e da paz."

O encontro com o IIAS, disse Leão XIV, pode ajudar "as autoridades a tomar decisões nessa área para o bem da humanidade". O tema da humanização digital segue como prioridade do pontificado, conectando fé, ética e política pública.

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