Soberania divina e ação profética marcam o Mês da Bíblia
O Mês da Bíblia 2026 traz reflexões do Livro de Daniel sobre a soberania divina e a ação profética. Entenda como o tema fortalece a fé em tempos de crise e orienta as comunidades.
Em setembro, a Igreja recorda o Mês da Bíblia, que neste ano traz as reflexões do Livro de Daniel. O tema escolhido é "Seu reino jamais será destruído", extraído de Daniel (7,14), e gira em torno da soberania de Deus, da resistência espiritual e da fidelidade ao Senhor em tempos de crise. A iniciativa, que completa 55 anos no Brasil, ajuda a popularizar o estudo das Sagradas Escrituras entre os leigos.
Irmã Zuleica Aparecida Silvano, religiosa paulina e assessora no Serviço de Animação Bíblica/Paulinas (SAB), explica que o Livro de Daniel foi escrito em um momento de forte crise, marcado pela proibição de Antíoco IV Epífanes e por intensa perseguição. "Esse livro tem como finalidade fortalecer a fé dos judeus em um contexto adverso", afirma. Para as comunidades cristãs de hoje, ela propõe uma pergunta fundamental: como se manter fiel aos valores evangélicos em uma cultura que pouco valoriza esses aspectos?
A religiosa destaca que os jovens podem ser sujeitos de sua própria vida cristã, evangelizando outros jovens. Além disso, por ser um livro profético e crítico à opressão política, jurídica e religiosa, cabe a cada batizado perguntar-se como está vivendo seu papel profético, concedido pelo Batismo, e como ser uma voz crítica diante das realidades de opressão na sociedade.
Neste ano, o Mês da Bíblia é celebrado no contexto das eleições nacionais, marcadas para 4 de outubro. Segundo Irmã Zuleica, a escolha do tema se deu também por este motivo: "Daniel deve nos ajudar a discernir sobre a política como bem comum e a escolher bem nossos candidatos, não somente aqueles que serão governadores ou presidente, mas sobretudo os deputados e senadores".
A Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética preparou um subsídio que segue o método da Leitura Orante, dividido em quatro encontros, uma celebração e a maratona bíblica. Os encontros abordam a fidelidade dos três jovens Sidrac, Misac e Abdênago (Dn 3), o fim da soberania dos impérios, a história de Susana (Dn 13) e a instauração do Reino de Deus (Dn 12,1-13). A celebração final inclui o cântico dos três jovens (Dn 3,51-90).
O Mês da Bíblia nasceu de uma sugestão das Irmãs Paulinas, em 1971, por ocasião dos 50 anos da Arquidiocese de Belo Horizonte. Em 1985, Paulinas e CNBB assumiram a iniciativa em âmbito nacional, e, desde então, a tradição se consolidou com maratonas, gincanas e roteiros de Leitura Orante, favorecendo o contato com livros pouco lidos, como Ezequiel e Daniel Mês da Bíblia.
A reflexão proposta neste ano convida as comunidades a viverem a fé com coragem profética, confiando na soberania de Deus em meio às crises. Uma fé que não se traduz em ação corre o risco de esvaziar-se, mas a Palavra, quando acolhida e praticada, fortalece a esperança e a comunhão entre os fiéis.