# Síria: Servindo a Deus e às pessoas em meio à guerra

> A Irmã Judita Cáková, da Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, administra o Hospital Francês em Damasco há 33 anos. A religiosa mantém a missão vicentina de servir aos pobres em meio à guerra civil síria. O hospital opera como refúgio humanitário, oferecendo cuidados médicos à população local apesar dos constantes bombardeios e da escassez de recursos.

*Calendário da Paz · Bem-estar · 02 de agosto de 2026 · Daniel Couto*

Há 33 anos, a Irmã Judita Cáková integra a Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo. Em Damasco, ela administra o Hospital Francês, mantendo viva a missão de servir aos pobres em meio à guerra.

## Síria: Servindo a Deus e às pessoas em meio à guerra e às adversidades

Há 33 anos, a Irmã Judita Cáková integra a Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo. Enfermeira de formação, ela atuou em diversas partes do mundo, incluindo campos de refugiados e zonas de conflito, antes de chegar a Damasco.

**Resposta direta:** A Irmã Judita Cáková, enfermeira e membro da Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, serve há 33 anos. Em Damasco, administra o Hospital Francês, garantindo sustento financeiro e cuidado aos pobres, mesmo com a guerra desde 2011.

## Quem é a Irmã Judita Cáková?

A trajetória da Irmã Judita é marcada por encontros que definem sua vocação. Ela recorda um momento em que, ao ser perguntada "Quem é a mulher que está nos ajudando?", um intérprete respondeu: "Ela é uma mulher que ama a Deus e ao próximo". Essas palavras permaneceram com ela desde então.

A decisão de atuar em missões humanitárias veio após ler um artigo que a comoveu. "Fiquei sensibilizada com a extrema pobreza das pessoas que haviam fugido da guerra e da violência sem nada, necessitando até mesmo da assistência mais básica", conta.

## O Hospital Francês: um símbolo de confiança em Damasco

Hoje, a missão da Irmã Judita é administrativa. "Minha responsabilidade é administrar o hospital de modo a garantir sua sustentabilidade financeira, mantendo-me fiel ao nosso carisma de servir aos pobres."

O hospital, conhecido como "Hospital Francês", pertence às Filhas da Caridade. Embora as irmãs supervisionem a administração, a maioria dos funcionários é leiga, de diferentes origens religiosas.

### Adaptação a um novo sistema de saúde

Quando chegou à Síria, a Irmã Judita não falava árabe. "Eu sabia um pouco de francês e inglês", recorda, "mas todos os idiomas acabavam se misturando na minha cabeça." Aos poucos, ela se comunicava e se estabeleceu no centro cirúrgico, onde gostava de auxiliar em cesarianas, pois o procedimento era o mesmo.

Dois médicos que estudaram na Rússia tornaram-se mentores. "Foi uma grande ajuda, pois eu podia fazer perguntas e eles me explicavam tudo com paciência."

## Números e desafios do hospital em tempos de guerra

O Hospital Francês opera com 108 leitos, cerca de 250 funcionários e aproximadamente 130 médicos. "Minha responsabilidade é garantir que a equipe receba seus salários regularmente e tenha boas condições de trabalho."

Manter a estabilidade financeira sem abandonar a missão é um desafio. "Não podemos atender apenas os pobres, pois não temos nenhuma organização capaz de financiar todo o tratamento deles. Por isso, também recebemos pacientes que podem pagar, o que nos permite cuidar daqueles que não têm condições."

### Parcerias e apoio internacional

O hospital colabora com a Caritas e várias organizações beneficentes na Síria, apoiadas por doadores internacionais. Em anos anteriores, recebeu assistência pela iniciativa "Open Hospital" (Hospital Aberto) do Vaticano, liderada pelo Núncio Apostólico, Cardeal Mario Zenari. "Graças a esse apoio, muitas pessoas puderam passar por cirurgias que salvaram suas vidas, inclusive em emergências."

## A Síria mudou drasticamente desde 2011

Segundo a Irmã Judita, a sociedade síria mudou desde a eclosão da guerra em 2011. "Muitas pessoas têm dois empregos simplesmente para sobreviver. Houve também um grande êxodo de pessoas instruídas, especialmente cristãos e minorias, para a Europa, as Américas e a Austrália."

Os que permanecem, diz ela, são os que não têm como partir. As tensões regionais trouxeram explosões e ataques com foguetes ao cotidiano.

### Um ataque que ficou na memória

Após um atentado a bomba em uma igreja ortodoxa, que vitimou várias pessoas, a maioria dos feridos foi levada ao Hospital Francês. "Tratamos cerca de oitenta por cento deles." Muitas vítimas eram jovens. "Quando perguntávamos, após a cirurgia, como poderíamos ajudá-los, quase todos queriam deixar o país."

## Um lugar de esperança em meio à escuridão

Apesar da violência, o hospital se esforça para ser um lugar de esperança. "Nossa instituição tem uma atmosfera cristã, de respeito, cooperação e um desejo genuíno de servir ao próximo." Os funcionários são incentivados a ver Cristo em cada pessoa e a tratar cada paciente com dignidade e compaixão. "Essa é uma das razões pelas quais as pessoas se sentem seguras aqui."

Em um país onde a maioria das unidades de saúde é estatal, o Hospital Francês virou símbolo de confiança. Recentemente, inaugurou um novo setor de cardiologia, com cateterismo cardíaco e cirurgia de coração aberto. "É importante que todos, inclusive os cristãos, tenham acesso a assistência médica de alta qualidade."

### Missão além da saúde

Em crises, o hospital ofereceu acomodação a profissionais de saúde que perderam casas e empregos. Organizou transporte para funcionários, pois transitar por Damasco à noite é perigoso. "Não há eletricidade. A cidade está às escuras e as pessoas estão com medo."

A Irmã Judita reconhece a dependência do apoio internacional. "Toda forma de ajuda é bem-vinda, seja financeira ou material. Precisamos urgentemente de uma nova ambulância e de ajuda para custear cirurgias de pacientes carentes."

## Vidas transformadas sustentam a esperança

Em meio à guerra, são as vidas transformadas que sustentam sua esperança. Ela recorda uma menina nascida prematura, com seis meses de gestação. "Ela nasceu no dia de São Miguel, por isso sugerimos o nome Miša." Hoje, é uma criança saudável de dois anos. "Momentos como esses nos trazem imensa alegria", diz. "Eles nos lembram por que continuamos."

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## Perguntas Frequentes

### Quem é a Irmã Judita Cáková?

É uma enfermeira e religiosa da Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, com 33 anos de serviço, atualmente administradora do Hospital Francês em Damasco.

### O que é o Hospital Francês em Damasco?

É um hospital pertencente às Filhas da Caridade, conhecido por sua atmosfera cristã e por atender tanto pobres quanto pacientes que podem pagar, garantindo sustento financeiro.

### Como o hospital sobrevive em meio à guerra?

Com apoio internacional, parcerias como a Caritas e a iniciativa "Open Hospital" do Vaticano, além de receber pacientes que pagam pelo tratamento.

### Qual foi o impacto do atentado à igreja ortodoxa?

Após o ataque, o Hospital Francês tratou cerca de oitenta por cento dos feridos, muitos deles jovens que desejavam deixar o país.

### Como posso ajudar o Hospital Francês?

A Irmã Judita pede ajuda financeira ou material, como uma nova ambulância e custeio de cirurgias para pacientes carentes.

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Fonte (canonical): https://calendariodapaz.com.br/bem-estar/siria-servindo-deus-pessoas-meio-guerra-adversidades/
