# Nepal: sobe número de vítimas; 20 mil crianças sem água

> Nepal registra 1.300 mortos e 5.600 desaparecidos após avalanche na bacia do rio Bhotekoshi-Trishuli. UNICEF alerta que 22 mil crianças estão sem água potável e saneamento básico na região. A catástrofe compromete infraestrutura hídrica local, agravando risco de doenças e desidratação entre menores. Autoridades seguem em busca de sobreviventes e avaliam danos ambientais.

*Calendário da Paz · Bem-estar · 07 de setembro de 2026 · Daniel Couto*

Mais de uma semana após a avalanche no Nepal, o número de vítimas segue subindo: 1.300 mortos e 5.600 desaparecidos. O UNICEF alerta que 22 mil crianças estão sem água potável e saneamento básico na bacia do rio Bhotekoshi-Trishuli.

A avalanche que atingiu o Nepal completa mais de uma semana com um cenário que ainda se agrava. Na bacia do rio Bhotekoshi-Trishuli, famílias vivem entre lama e escombros, e a pergunta que ecoa entre os pais é direta: onde encontrar água potável para os filhos? O UNICEF emitiu um alerta: pelo menos 22 mil crianças estão sem água potável e saneamento básico. O número de vítimas também segue subindo, com cerca de 1.300 mortes confirmadas e 5.600 desaparecidos, incluindo quase 600 turistas estrangeiros que faziam peregrinação espiritual nas montanhas sagradas, além de pessoas na região do Tibete.

Os centros de acolhida improvisados estão superlotados. Os danos nos sistemas de rede hídrica aumentam o risco de doenças transmitidas por água contaminada, com perigo de epidemias que ainda podem ser evitadas. As operações de resgate fazem corrida contra o tempo para remover toneladas de lama. O exército nepalês, com especialistas da Índia, China e Coreia do Sul, tenta chegar aos cerca de 900 operários presos nos túneis subterrâneos das usinas hidrelétricas de Langtang, Chilime e Rasuwagadhi. Nesta quarta-feira, 4 de setembro, dois foram resgatados com vida, e as imagens de soldados carregando-os nos ombros se espalharam pelo país. Um dos sobreviventes, levado às pressas ao Hospital de Katmandu, disse: "Há muitas outras pessoas vivas lá dentro". Ainda há esperança de resgatar pelo menos mais 39 operários naquele túnel.

Enquanto diminuem as chances de encontrar sobreviventes nas aldeias devastadas, centenas de famílias hindus iniciaram funerais simbólicos. Sacerdotes colocam bonecos de palha em fogueiras, ritual para desejar paz eterna às almas dos parentes. Helicópteros seguem transportando ajuda humanitária. A ONU enviou kits de higiene, frascos de purificação e galões dobráveis de 10 litros para cerca de 19 mil pessoas. O acesso à água potável melhora aos poucos, e os atos de purificação e controles seguem reforçados.

Alice Akunga, representante do UNICEF no Nepal, lembra que a reconstrução será longa: "Restabelecer o acesso à água potável não é um trabalho de apenas uma semana". A fala reforça o que o silêncio também fala: a tragédia expõe a necessidade de infraestrutura adequada para evitar novos desastres.

ajuda humanitária em desastres naturais como o UNICEF atua em emergências

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