# Mundo se aproxima do limite de 1,5°C, alerta ONU

> O relatório da ONU (PNUMA) indica que o mundo se aproxima do limite de 1,5°C de aquecimento global, com risco de ultrapassagem temporária. O fenômeno El Niño agrava o cenário, elevando a probabilidade de exceder a meta climática de Paris. As análises apontam necessidade urgente de redução de emissões para evitar consequências irreversíveis.

*Calendário da Paz · Bem-estar · 07 de setembro de 2026 · Daniel Couto*

O mundo se aproxima do limite de 1,5°C de aquecimento global, alerta a ONU. Análises do PNUMA indicam risco de ultrapassagem temporária, com El Niño agravando o cenário.

O limite de 1,5°C de aquecimento global, referência central do Acordo de Paris, está cada vez mais próximo de ser ultrapassado. A ONU alerta que o desafio climático agora inclui limitar a duração e a intensidade de uma eventual ultrapassagem temporária, reduzindo impactos sobre populações e ecossistemas.

Análises recentes do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) indicam que o aumento de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais pode deixar de ser uma meta alcançável sem um período de "excesso" (overshoot). Nesse cenário, a temperatura global ultrapassa o limite e, depois, volta a ficar abaixo dele, mas apenas com forte redução das emissões.

O alerta ocorre em momento de pressão crescente sobre o sistema climático. O retorno do El Niño, fenômeno natural que aquece as águas do Pacífico tropical, pode agravar temporariamente o quadro. A possibilidade de um El Niño de forte intensidade, com pico previsto para o fim do ano, eleva ainda mais as temperaturas globais e a probabilidade de eventos extremos.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, resumiu o cenário: "El Niño está assumindo proporções enormes diante de nossos olhos". Ele acrescentou que "a ciência não deixa espaço a dúvidas: o planeta encontra-se em águas desconhecidas, que estão aquecendo". Para Guterres, "o mundo encontra-se em uma zona de perigo".

O El Niño, por si só, não é responsável pela mudança climática, mas pode intensificar o aquecimento ao ocorrer em um planeta já aquecido pelo acúmulo de gases de efeito estufa. A causa estrutural do aquecimento está relacionada principalmente às emissões de dióxido de carbono e de outros gases de efeito estufa.

O limite de 1,5°C tornou-se referência no Acordo de Paris, firmado em 2015, quando os países se comprometeram a manter o aumento "bem abaixo" de 2°C e a prosseguir esforços para limitá-lo a 1,5°C. Quanto maior o aquecimento, maiores os riscos de eventos extremos, perda de biodiversidade, elevação do nível do mar e prejuízos à agricultura.

As emissões globais permanecem elevadas, e os compromissos dos governos ainda não são suficientes para uma trajetória compatível com as metas. A questão passa a ser não apenas se o limite será ultrapassado, mas também quanto a temperatura subirá, por quanto tempo e com que rapidez será possível reduzir o aquecimento.

Cada fração de grau tem impacto. A redução rápida das emissões, com descarbonização da economia, expansão de renováveis, eficiência energética e eletrificação dos transportes, segue fundamental. Também pode ser necessário retirar CO₂ da atmosfera, por meio de reflorestamento e tecnologias de captura, mas essas medidas não substituem a redução das emissões.

Medidas de adaptação tornam-se cada vez mais necessárias: cidades preparadas para ondas de calor, sistemas agrícolas resistentes à seca e infraestrutura para chuvas intensas. As mudanças climáticas ultrapassam a dimensão ambiental e alcançam áreas econômica e social, com impactos sobre segurança alimentar, migração e saúde pública.

O alerta da ONU não deve ser interpretado de forma fatalista. O El Niño é natural e deverá perder força, como em episódios anteriores. O aquecimento provocado pelos gases de efeito estufa, porém, permanece enquanto as emissões continuarem elevadas. Uma eventual ultrapassagem de 1,5°C não significa que os esforços deixem de importar: cada décimo de grau evitado reduz riscos e impactos.

O planeta atravessa uma fase de crescente instabilidade climática. A "zona de perigo" mencionada por Guterres expressa a redução da margem de segurança. O limite de 1,5°C pode ser ultrapassado, mas o desafio é evitar que o aquecimento avance ainda mais e reduzir o tempo em que a temperatura permanecerá acima desse patamar.

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Fonte (canonical): https://calendariodapaz.com.br/bem-estar/mundo-se-aproxima-limite-15c-aquecimento-global-alerta-onu/
