Candelária celebra 215 anos de sagração no Rio
A Igreja de Nossa Senhora da Candelária, no centro do Rio de Janeiro, celebra 215 anos de sagração com procissão, seminário e concerto. A Irmandade do Santíssimo Sacramento, responsável pelo templo, destaca a preservação do patrimônio e do arquivo histórico.
A Igreja de Nossa Senhora da Candelária, no centro do Rio de Janeiro, celebra neste mês de setembro os 215 anos de sua sagração. A data mobiliza a Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária, responsável pela manutenção e preservação do templo, em uma programação que reúne liturgia, seminário e música.
A celebração começou no domingo, 13, com procissão e Missa solene presidida pelo bispo emérito de Guanhães (MG), Dom Jeremias Antônio de Jesus. Nesta terça-feira, 15, a Sala de Cumprimentos recebe, às 9h, um seminário com especialistas que abordam diferentes momentos e a trajetória da instituição. O encerramento ocorre na quarta-feira, 16, com concerto do Projeto Candelária, apresentado pela Orquestrando a Vida, de Campos dos Goytacazes, às 18h.
Para o provedor da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária, Antonio Soares da Silva, a data tem sentido que ultrapassa a contagem do tempo. "A data nos permite recordar nossas raízes, mas também reafirmar um compromisso que atravessa gerações: preservar esse patrimônio e manter a igreja como um espaço de fé, cultura, acolhimento e serviço à sociedade", afirma.
A Irmandade também responde por projetos de preservação do templo, pela restauração dos vitrais históricos e pela manutenção de imóveis pertencentes, como o antigo Hospital Frei Antônio. Outro patrimônio sob sua guarda é o Arquivo Histórico da Candelária, que reúne documentos e registros que ajudam a contar a trajetória da instituição e capítulos da história do Rio de Janeiro.
"Preservar um patrimônio como a Candelária significa preservar a memória de uma cidade e de várias gerações que ajudaram a construir sua história. Por isso, nosso trabalho não se limita à conservação física do templo. Temos também a responsabilidade de proteger documentos, obras de arte e conhecimentos que permitem às futuras gerações compreender esse legado", destaca Antonio.
A construção da igreja remonta ao século XVIII. O provedor lembra que o prédio exige cuidados contínuos. "Uma construção que teve início em 1775 exige muitos desafios para ser preservada. A Igreja da Candelária é tombada pelo IPHAN e mantemos diálogo constante com o órgão de preservação", reconhece.
Dom Jeremias Antônio sublinha que celebrar os 215 anos do templo é valorizar a memória e o legado confiado às gerações seguintes, incluindo o louvor ao Santíssimo Sacramento e a presença materna da Mãe de Jesus. Para ele, a história da Candelária se mistura à evolução da identidade carioca, e a igreja nunca esteve isolada, mas no meio dos acontecimentos sociais, econômicos e culturais. O bispo acrescenta que uma igreja histórica permanece viva quando é habitada pela oração e pela celebração dos sacramentos, mesmo diante de desafios como as mudanças no fluxo de pessoas na cidade e a própria preservação do templo.
Professora de História da Arte na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Márcia Valéria Rosa inclui a visita à Candelária no conteúdo programático de sua disciplina. Ela observa que a igreja representa uma presença cristã mariana no centro da cidade e que sua localização, posicionada para o sol nascente, estabelece uma convergência de duas grandes vias, favorecendo a propagação de sua luz mariana. Após o doutorado sobre o acervo da Candelária, foi indicada pela diretoria da Irmandade para fazer parte dela. "Isso muito me orgulha, por possibilitar contribuir com a valorização do acervo artístico, histórico e arquivístico", conclui.