# Encontro em Roma incentiva ações para cuidados sociais e ambientais

> Roma sedia, de 10 a 12 de setembro, encontro entre organismos eclesiais, sindicatos, movimentos populares, empresas e universidades para debater ações e acordos sobre questões sociais e ambientais. O evento se inspira nas encíclicas Fratelli Tutti e Magnifica Humanitas, buscando convergências concretas entre fé, trabalho, economia e cuidado com a casa comum.

*Calendário da Paz · Bem-estar · 11 de setembro de 2026 · Daniel Couto*

Organismos eclesiais, sindicatos, movimentos populares, empresas e universidades se reúnem em Roma, de 10 a 12 de setembro, para pensar ações e acordos sobre a questão social e ambiental, à luz das encíclicas Fratelli Tutti e Magnifica Humanitas.

A Igreja Católica mantém abertas frentes de diálogo para promover e resguardar a dignidade da pessoa humana e o cuidado com a Casa Comum. À luz das encíclicas Fratelli Tutti, do Papa Francisco, e Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, acontece em Roma um encontro que reúne organismos eclesiais, entidades sindicais, movimentos populares, representantes de empresas e universidades para pensar ações e acordos ligados à questão social e ambiental.

O IV Encontro Sinodal Fratelli Tutti: diálogo socioambiental Norte-Sul é realizado entre os dias 10 e 12 de setembro, na Casa Geral de La Salle, em Roma. A proposta é consolidar um espaço de diálogo entre atores das Américas do Norte e do Sul, com atenção especial para a realidade do trabalho, da transição ecológica e dos novos desafios diante das novas tecnologias.

A promoção é do Conselho Episcopal Latino Americano e Caribenho (Celam), da Conferência Episcopal dos Estados Unidos (USCCB) e da Pontifícia Comissão para a América Latina. O encontro dá continuidade a um processo iniciado em 2023, com etapas em Bogotá e Washington. A conclusão deste momento em Roma será marcada por uma audiência com o Papa Leão XIV.

O arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Jaime Spengler, está entre os participantes. Como presidente do Celam, dom Jaime abriu a entrevista coletiva na Sala de Imprensa da Santa Sé, na manhã desta sexta-feira, 11, e partilhou seus anseios para a mobilização.

"Nesses tempos complexos da nossa história, devemos juntar as melhores forças de nossas sociedades do Norte e do Sul para nos escutarmos mutuamente e descobrirmos os sonhos que nos unem para ver possível um mundo melhor para todos e todas", afirmou o cardeal Spengler.

Para ele, o processo sinodal pode oferecer à Igreja uma metodologia para gerar espaços de escuta e diálogo capazes de responder às crises que atravessam a humanidade. Em meio à crise ambiental e aos dilemas econômicos, políticos e sociais apresentados pela Inteligência Artificial, "é urgente reunir as melhores vozes de homens e mulheres comprometidos com a busca de caminhos para um futuro digno e justo para todos e todas", ressaltou o presidente do Celam.

A secretária da Pontifícia Comissão para a América Latina, Emilce Culda, destacou que o processo de diálogo iniciado pelo encontro deve conduzir a uma agenda de responsabilidade compartilhada, baseada no diálogo social a partir da perspectiva católica, colocando na mesma mesa setores organizados de trabalhadores e empresários para debater soluções eficazes frente à crise socioambiental. Seis projetos traduzem essa agenda em ações práticas de formação, pesquisa, articulação e diálogo.

O bispo de Jales (SP) e coordenador da Rede do Trabalho Organizado do Celam, dom Reginaldo Andrietta, destacou o diálogo entre a América Latina, o Caribe e a América do Norte como via para construir pontes, promover a paz e responder juntos aos desafios sociais e ambientais. Para ele, o propósito é ampliar essa perspectiva para uma integração de todas as Américas. "Estamos dando passos e avançando também em um diálogo com a América do Norte, todas as Américas, pois, construindo pontes de unidade", observou.

Essa integração, explicou, pode ser uma contribuição em um mundo que enfrenta desafios que já não podem ser enfrentados de maneira isolada. Diante da globalização e de fenômenos como o individualismo, a indiferença e uma visão exclusivamente tecnocrática, é necessário recuperar uma perspectiva centrada na pessoa e nas relações sociais.

A partir do processo, dom Reginaldo propôs construir um humanismo inspirado em uma ética cristã e na cultura do encontro promovida pelos últimos pontífices. Para o bispo, essa cultura do encontro está intimamente relacionada com a convergência e com a busca da paz em contextos atravessados por conflitos. Ele também destacou o princípio da solidariedade, presente na Doutrina Social da Igreja: "Estamos em um caminho de construção de uma solidariedade global contribuindo com o que o Papa Leão deseja: uma cultura de convergência, uma cultura de paz que significa também construir relações de equidade, portanto de justiça", sublinhou.

Outro brasileiro presente na coletiva foi o arcebispo de Manaus (AM) e presidente da Conferência Eclesial da Amazônia, cardeal Leonardo Steiner. Ele recordou os povos indígenas e os povos da floresta incluídos nas escutas sinodais, que apresentam como contribuição para o cenário atual a compreensão de que a dignidade da pessoa humana está conectada à dignidade da natureza, o que exige atenção no cuidado e cultivo da terra, em vista do bem comum.

"A ecologia integral com Laudato Si' e depois com Fratelli Tutti abriu um horizonte que não podemos esquecer. Esse horizonte deve iluminar não apenas a relação da Igreja com o meio ambiente, mas também sua maneira de viver e de anunciar o Evangelho", destacou o cardeal, recordando os documentos do Papa Francisco.

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Fonte (canonical): https://calendariodapaz.com.br/bem-estar/encontro-roma-incentiva-acoes-cuidados-sociais-ambientais/
