Como começar a ler a Bíblia? Especialista dá dicas práticas
Especialista em Bíblia, Denis Duarte, explica como começar a ler a Bíblia, a diferença entre leitura e estudo, e apresenta métodos como a Lectio Divina para aprofundar a fé.
Como começar a ler a Bíblia e estudá-la? O especialista em Bíblia Denis Duarte, em entrevista ao noticias.cancaonova.com, orienta os fiéis que desejam se aprofundar na Palavra de Deus. A Igreja no Brasil celebra o Mês da Bíblia em setembro, iniciativa que completa 55 anos em 2026, e o tema deste ano é o livro do profeta Daniel, capítulo 7, versículo 14: "Seu Reino Jamais será destruído".
Para começar, Duarte recomenda evitar textos muito isolados. "O texto bíblico foi escrito dentro de um contexto: são livros bíblicos", explica. Assim como não se lê apenas um trecho de Machado de Assis, o ideal é analisar capítulos inteiros. Na liturgia diária, a Igreja organiza a leitura para percorrer toda a Escritura nos Anos A, B e C. Além disso, as traduções trazem recursos como notas de rodapé, introduções, mapas e glossários, que ajudam na compreensão.
O especialista faz uma distinção crucial: leitura e estudo são coisas diferentes. A leitura pode ser feita em qualquer momento, como ao ler um salmo ou em uma reunião de grupo. Já o estudo exige disciplina, horário e local, como em uma escola ou universidade. "Quem desanima geralmente é no estudo bíblico, mas porque muitas vezes encara o estudo bíblico como leitura bíblica", alerta. A perseverança vem de entender essa diferença e buscar textos de apoio quando algo não fica claro.
Para quem deseja aprofundamento, existem métodos. O principal é a Lectio Divina, a leitura orante, que a Igreja ensina originalmente. Outro método, criado pelo padre Jonas Abib, é a "Bíblia no meu dia a dia", que se origina da Lectio Divina. Duarte compara o método a um mapa ou a uma receita de bolo: "Para que o bolo dê certo, você precisa da receita, você precisa segui-la". Esses métodos ajudam a ouvir a voz de Deus, rezar e contemplar sua presença.
Sobre a tecnologia, Duarte é favorável, mas alerta para os riscos. "Tem muita coisa que não condiz com a maneira da Igreja Católica ensinar a Sagrada Escritura", afirma. Ele recomenda fazer uma curadoria das fontes: "Examinar tudo, mas ficar apenas com o que é bom", como ensina São Paulo. A tecnologia, incluindo aplicativos e cursos online, pode ajudar, desde que se verifique a procedência da informação. O silêncio também fala: escolher um método e perseverar é o caminho para que a Palavra de Deus ilumine a vida diária.