Catequese: Papa defende consciência frente a algoritmos
Na Audiência Geral desta quarta-feira, 16, o Papa Leão XIV defendeu a consciência humana frente aos algoritmos. Dando continuidade ao ciclo sobre o Concílio Vaticano II, o Pontífice refletiu sobre a comunidade humana a partir da Gaudium et spes.
O Papa Leão XIV dedicou a catequese da Audiência Geral desta quarta-feira, 16, à comunidade humana. Dando continuidade ao ciclo de catequeses sobre o Concílio Vaticano II, o Pontífice concentrou-se no segundo capítulo da Constituição Gaudium et spes, que convida a considerar a multiplicação das relações entre os homens como um dos principais aspectos do mundo contemporâneo.
Na reflexão, o Papa defendeu que decisões que competem exclusivamente à consciência humana não sejam delegadas aos algoritmos. Ele citou a duplicidade que envolve o desenvolvimento tecnológico: se, por um lado, abre possibilidades, derrubando barreiras e distâncias, por outro pode tornar as relações cada vez menos pessoais e mais virtuais.
"Corre-se o risco de nos habituarmos a delegar aos algoritmos decisões que competem exclusivamente à consciência humana", afirmou o Pontífice.
Nesse cenário, a comunidade cristã pode contribuir ao assegurar que as relações sociais tenham um significado real e uma profundidade pessoal. Segundo o documento, a diversidade das pessoas e dos povos não deve ser considerada uma ameaça, mas um potencial de enriquecimento e crescimento. Assim, é necessário abrir-se cada vez mais à lógica da reciprocidade, da partilha e do cuidado.
Ao citar algumas conclusões dos padres conciliares, o Papa destacou, em primeiro lugar, o respeito pela pessoa humana. A Gaudium et spes considera "infamante" tudo o que se opõe à vida, como homicídio, genocídio, aborto, eutanásia, escravidão, prostituição, comércio de pessoas e condições degradantes de trabalho.
Outro ponto é o respeito e o amor também pelos adversários ou por quem pensa e age diferente. Além disso, a igualdade fundamental de todos os homens, que exige justiça social. Isso impõe eliminar qualquer forma social ou cultural de discriminação por razão do sexo, raça, cor, condição social, língua ou religião. Por fim, os Padres conciliares exortam a superar a mentalidade individualista e a assumir uma atitude de responsabilidade e participação.
"Queridos irmãos e irmãs, esta visão da humanidade como 'comunidade de pessoas' é um legado precioso que o Concílio Vaticano II nos deixou. Ela ajuda-nos a todos a realizar um discernimento pessoal e comunitário, para avaliar com responsabilidade os projetos sociais e políticos de hoje, com base nos critérios da dignidade da pessoa humana, da justiça social e da livre participação na construção do bem comum. Pois o futuro da humanidade depende do empenho de cada um em colaborar com Deus e com os irmãos na construção de um mundo mais humano", concluiu o Papa.
A íntegra da catequese reforça o convite conciliar a um discernimento que não terceirize à técnica aquilo que pertence à liberdade e à responsabilidade de cada pessoa.