Bem-estar

Cardeal Farrell: Cruz, sinal de esperança para jovens da JMJ

ResumoCardeal Kevin Farrell afirmou na festa da Exaltação da Santa Cruz que o sofrimento não tem a última palavra e que a Cruz é sinal de esperança para os jovens. A homilia abriu a segunda reunião internacional de preparação para a Jornada Mundial da Juventude Seul 2027, realizada na Coreia do Sul.

Na festa da Exaltação da Santa Cruz, o cardeal Kevin Farrell afirmou que o sofrimento não tem a última palavra. A homilia abriu a segunda reunião internacional de preparação para a JMJ Seul 2027, na Coreia do Sul.

Daniel Couto
por Daniel Couto · Colunista de espiritualidade · 14 de setembro de 2026 · 4 min
Cardeal Farrell: Cruz, sinal de esperança para jovens da JMJ

O cardeal Kevin Farrell, prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, afirmou que a cruz de Cristo é sinal de esperança e de vida para uma humanidade marcada pelo sofrimento. A declaração foi feita na homilia da Missa celebrada nesta segunda-feira, 14 de setembro, festa da Exaltação da Santa Cruz, que abriu a segunda reunião internacional de preparação para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Seul 2027, na Coreia do Sul.

A cruz de Cristo é sinal de esperança e vida, não de derrota. Na homilia, o cardeal Farrell disse que o sofrimento não é o fim e convidou os jovens a levantar os olhos para a cruz, reconhecendo nela o amor de Deus presente mesmo nos momentos difíceis. A mensagem abre o encontro que prepara a JMJ de Seul.

O encontro reúne na Coreia do Sul cerca de 400 representantes de dioceses e organizações de aproximadamente 190 países, além de membros do Organismo Consultivo Internacional da Juventude (IYAB), responsáveis do comitê organizador e voluntários. A reunião, realizada de 14 a 17 de setembro, tem como objetivo compartilhar a visão e o andamento dos preparativos para a JMJ de 2027 e aprofundar a participação das Igrejas locais.

Ao comentar a liturgia da Exaltação da Santa Cruz, o cardeal recordou que, aos olhos humanos, a cruz poderia parecer apenas instrumento de tortura e morte. Em Cristo, porém, ela foi transformada em sinal da salvação. "A cruz de fé em Cristo nos mostra que o sofrimento não é o fim", afirmou, segundo o texto da homilia.

Farrell relacionou essa mensagem diretamente à realidade dos jovens. Muitos carregam, segundo ele, diferentes formas de sofrimento: solidão, tristeza, depressão, incredulidade, rejeição e as consequências de uma sociedade que pode fazer com que se sintam sem esperança. Diante disso, a Igreja é chamada a anunciar que nenhuma dessas experiências tem a última palavra.

Um dos momentos mais significativos da homilia foi o convite a olhar para a cruz. Recordando a imagem da serpente de bronze erguida por Moisés no deserto, o cardeal explicou que o gesto bíblico de levantar os olhos continua tendo um significado profundo para o cristão. "Levantem os olhos e vejam, não há nada para temer!", afirmou Farrell.

A mensagem ganha significado no contexto da JMJ de Seul. O encontro internacional será realizado de 3 a 8 de agosto de 2027 e será a segunda Jornada Mundial da Juventude realizada na Ásia, depois de Manila, em 1995. Será também a primeira edição da JMJ em um país onde o cristianismo é uma religião minoritária.

O tema escolhido pelo Papa Francisco para a Jornada é uma passagem do Evangelho de São João: "Tende coragem: eu venci o mundo!" (Jo 16,33). A escolha está diretamente relacionada à mensagem da homilia de Farrell: a coragem cristã nasce da vitória de Cristo sobre o pecado, o sofrimento e a morte.

A preparação para Seul não pretende ser apenas uma organização logística. O próprio comitê organizador apresenta a preparação espiritual como dimensão fundamental da Jornada. Entre as iniciativas está uma oração pelos jovens, rezada nas comunidades, além do movimento dos "200 milhões de terços", promovido na Igreja coreana como parte do caminho rumo à JMJ.

A cruz também possui importância particular para a Igreja na Coreia do Sul. O cristianismo chegou ao país de maneira singular, inicialmente por meio de leigos coreanos que tiveram contato com a fé católica e posteriormente buscaram o contato com a Igreja universal. A comunidade cristã cresceu em meio a períodos de perseguição e deu origem a numerosos mártires.

A preparação para a JMJ procura apresentar essa história às novas gerações. Em 2024, durante a apresentação da JMJ de Seul no Vaticano, o cardeal Farrell destacou a vitalidade da Igreja coreana e o testemunho heroico de seus mártires. Na mesma ocasião, afirmou que a Jornada poderá ajudar os jovens a redescobrir a beleza da vida cristã.

Na parte final da homilia, o cardeal Farrell retomou o convite a confiar em Deus. A fé, explicou, não significa ausência de dificuldades, mas a certeza de que Deus permanece presente também no meio delas. "A cruz é o sinal da vitória", afirmou.

Para os jovens que se preparam para Seul, essa mensagem se torna um programa espiritual: olhar para Cristo crucificado, reconhecer nele o amor de Deus e, a partir dessa experiência, tornar-se testemunha desse amor no mundo. A segunda reunião internacional de preparação prossegue até 17 de setembro, reunindo representantes da Igreja de 190 países para preparar a acolhida dos peregrinos.

Publicidade
Compartilhe esta palavra

Leia também

Mais
Publicidade