# Bispo de Kharkiv ao Papa: é preciso acabar com a guerra

> O bispo Pavlo Honcharuk, de Kharkiv-Zaporizhzhia, declarou ao Vatican News, após audiência privada no Vaticano, que recebeu do Papa a garantia de que tudo está sendo feito para pôr fim à guerra. Honcharuk descreve Kharkiv como epicentro do conflito e reforça a urgência de encerrar o confronto.

*Calendário da Paz · Bem-estar · 14 de setembro de 2026 · Daniel Couto*

Em audiência privada no Vaticano, o bispo Pavlo Honcharuk, de Kharkiv-Zaporizhzhia, disse ao Vatican News ter recebido do Papa a garantia de que tudo está sendo feito para pôr fim à guerra. Ele descreve Kharkiv como epicentro do conflito.

O bispo Pavlo Honcharuk, de Kharkiv-Zaporizhzhia, na Ucrânia, declarou ao Vatican News ter se sentido confortado pelas garantias do Papa de que tudo está sendo feito para pôr fim à guerra. A fala ocorreu logo após uma audiência privada no Vaticano, na sexta-feira, e o religioso descreveu Kharkiv como um incêndio e o epicentro do conflito.

Segundo o relato do bispo, o Papa o acolheu de coração aberto e a audiência, com cerca de uma hora de duração, foi calorosa. Ele afirmou ter agradecido ao pontífice pelas orações, pela preocupação e pelo apoio ao país, além da ajuda na libertação de prisioneiros e no retorno de crianças para casa. Honcharuk reiterou o convite para que o Papa visite a Ucrânia e disse que, nesse caso, ele teria de ir a Kharkiv.

A comitiva incluía o padre Volodymyr Kyrylyuk, reitor do seminário da Diocese Latina de Kamyanets-Podilskyi e capelão voluntário que presta assistência pastoral a uma unidade de soldados, e que também integra a Comissão de Capelania Militar da Conferência dos Bispos Latinos da Ucrânia. Também estavam presentes a irmã Nelia Kutsak, da mesma comissão, e a psicóloga Tatiana Goncharuk. Desde 2014, ambas trabalham com soldados e famílias de mortos, ao mesmo tempo em que lecionam na Escola de Formação de Capelães. Conforme o bispo, todos se apresentaram ao Papa e pediram uma bênção para o serviço que prestam.

O bispo citou ainda as visitas à Ucrânia feitas neste verão pelo secretário do Vaticano para as Relações com os Estados, arcebispo Paul Richard Gallagher, e pelo cardeal Matteo Zuppi, presidente da Conferência Episcopal Italiana. Para ele, elas demonstram que a Santa Sé emprega todos os esforços ao seu alcance, usando todo o seu arsenal para promover essa causa.

Sobre a vida em Kharkiv, onde milhares morreram e os ataques aéreos continuam, o bispo disse que a pergunta é simples e complicada ao mesmo tempo. Ele relatou ataques contínuos contra civis e armazéns, descrevendo a situação como uma máquina de morte, com pessoas e crianças morrendo e famílias perdendo suas casas. Diante das negociações recentes, classificou o cenário como um jogo e afirmou que, se tudo fosse possível, já teria sido feito. Para ele, a guerra não é um jogo de futebol e não se deve olhar para quem ganhou ou perdeu.

A esperança do bispo Honcharuk é que a guerra termine o mais rápido possível. Ele pediu a Deus que o amor entre no coração de todos, argumentando que o amor divino eleva a dignidade humana e que só quem sente a própria dignidade consegue ver a dignidade do outro. Todas as guerras começam quando o homem está sem coração, concluiu.

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