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Paolo Ruffini: A beleza da Pascom é fazer as pessoas se encontrarem

Durante o 9º Encontro Nacional da Pascom em Aparecida, Paolo Ruffini, prefeito do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé, refletiu sobre a importância da comunicação na evangelização. Ele destacou que a beleza da Pascom está em promover encontros significativos entre as pessoa

Tiago Belmonte
por Tiago Belmonte · Jornalista de religião · 27 de julho de 2026 · 5 min
Paolo Ruffini: A beleza da Pascom é fazer as pessoas se encontrarem

Paolo Ruffini: "A beleza da Pascom é fazer as pessoas se encontrarem"

O 9º Encontro Nacional da Pascom, realizado no Santuário Nacional de Aparecida (SP), teve a participação do prefeito do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé, Paolo Ruffini, na sexta-feira, 24. O evento reuniu aproximadamente 1.500 comunicadores de 19 regionais da CNBB e contou com o tema "Evangelização em movimento: a dimensão pastoral da comunicação".

O papel dos comunicadores católicos

Durante sua conferência, Ruffini refletiu sobre o papel dos comunicadores católicos em um contexto de rápidas transformações tecnológicas, especialmente devido à Inteligência Artificial. Ele enfatizou a necessidade de fortalecer a rede da Igreja e das pessoas de bem, ressaltando a importância de manter "atenção ao rosto e à voz da pessoa humana".

O prefeito do Dicastério lembrou que a vocação do comunicador é um chamado a ser "discípulo missionário em movimento". Para Ruffini, a comunicação da Igreja deve transcender funções individuais e revelar a comunhão entre todos os comunicadores.

Comunicação fundamentada no amor

Ruffini afirmou: "O que comunicamos, mesmo quando narramos fatos, notícias; mesmo quando projetamos e usamos a tecnologia para isso; tem uma chave que nos transcende. E ilumina cada coisa". Ele destacou que essa comunicação deve ser fundamentada no amor e não em "retórica vazia, com slogans, com frases feitas".

Ao abordar os desafios da comunicação atual, o prefeito alertou para a existência de diferentes movimentos no mundo digital, alguns essenciais e outros sem sentido. Ele convidou os participantes a refletirem sobre uma comunicação "mais participativa, mais missionária", como sinal da comunhão e da caridade.

Riscos da comunicação estéril

Ruffini também mencionou os alertas do Papa Francisco sobre o risco de uma movimentação estéril, baseada na autopromoção. Para ele, o caminho da Igreja deve ser o de um povo em caminhada.

O prefeito recordou o documento do Dicastério para a Comunicação, "Rumo a uma plena presença", que aponta desafios das redes sociais, como o uso da atenção e dos dados pessoais como moeda de troca e a crescente dificuldade de verificar informações no ambiente digital. Ele alertou para os riscos da Inteligência Artificial, que pode criar um "mundo artificial privado de verdadeira liberdade", em contraste com uma rede de conhecimento e amor que liberta.

Formação e humanismo digital

Para Ruffini, a Pastoral da Comunicação enfrenta o desafio de formar pessoas para o uso responsável das mídias e envolver diferentes setores da sociedade na construção de um novo humanismo digital. Diante de um cenário de polarização e discursos agressivos, ele retomou o convite do Papa para "desarmar a comunicação" e promover uma cultura de diálogo e paz.

"Vivemos um tempo de grandes mudanças: a questão é se nos deixamos guiar pela corrente ou guiamos a mudança, se nos deixamos aprisionar pela rede ou lançamos as redes do outro lado", refletiu. Segundo ele, é fundamental superar uma visão que reduz a comunicação à conexão e o conhecimento a respostas rápidas e superficiais.

Diferenciação na comunicação

Ruffini destacou a importância de diferenciar a comunicação das máquinas da comunicação humana, conforme alertou o Papa Leão XIV na encíclica Magnifica humanitas. Ele defendeu a necessidade de repensar a governança das tecnologias para evitar que poucos grupos definam o que é verdadeiro, ético e permitido no ambiente digital.

Ao discutir os caminhos para a comunicação da Igreja, Ruffini sugeriu aproximar a Pastoral da Comunicação da Pastoral Juvenil e incentivar uma relação mais consciente com a Inteligência Artificial, incluindo a proposta de "educar-se a jejuar de IA".

Quando utilizada em experiências de beleza e oração, a tecnologia pode contribuir para o bem comum e favorecer o encontro. "Esta é a beleza da Pascom: trazer as pessoas de volta a se encontrarem!", afirmou o prefeito, ressaltando que a comunicação deve ter como centro a pessoa humana.

Responsabilidade dos comunicadores

Ruffini também enfatizou que os comunicadores são responsáveis pela forma como as tecnologias transformam a sociedade: "Somos nós os custódios da identidade e da mudança". Segundo ele, uma comunicação baseada na verdade, transparência e qualidade da informação pode fortalecer uma rede segura e aberta ao mundo.

Ao abordar as estratégias de marketing no jornalismo e na comunicação da Igreja, o prefeito alertou que o Evangelho não pode ser transformado em produto. "Jamais, jamais podemos transformar o Evangelho em um produto a ser vendido, a Igreja em uma empresa, os fiéis em clientes, Jesus em uma marca", disse. Para ele, enquanto o marketing trabalha com troca, "Jesus vive de dom".

Construindo a comunhão

Ao final, Ruffini convidou a Pascom a ultrapassar seus próprios limites, construir projetos de colaboração e fortalecer a comunhão entre equipes de comunicação de diferentes países e cidades. Ele concluiu: "Hoje, mais do que nunca, é o momento para a Igreja sair de seus próprios muros, de não pensar de modo estático, mas dinâmico; é tempo de construir a comunhão através de todos os instrumentos da comunicação".

Perguntas Frequentes

O que é a Pascom?

A Pascom é a Pastoral da Comunicação, uma iniciativa da Igreja Católica que visa promover a comunicação dentro da comunidade.

Qual foi o tema do 9º Encontro Nacional da Pascom?

O tema do evento foi "Evangelização em movimento: a dimensão pastoral da comunicação".

Quem é Paolo Ruffini?

Paolo Ruffini é o prefeito do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé.

Quais os desafios da comunicação mencionados por Ruffini?

Ruffini mencionou desafios como o uso da atenção e dados pessoais como moeda de troca e a dificuldade de verificar informações no ambiente digital.

Como a tecnologia pode contribuir para a comunicação na Igreja?

Ruffini sugere que a tecnologia, quando utilizada de forma consciente, pode favorecer o encontro e promover experiências de beleza e oração.

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